No último 10 de dezembro, após acompanhar o mercado de mídia tradicionais, novas mídias e os eventos de comunicação internacionais a respeito de Transmídia, o grupo de estudos #EraTransmídia dos Inovadores ESPM, criou, organizou e produziu o 1º Fórum Transmídia – a nova onda da comunicação. Realizado na própria ESPM, o evento inovador e pioneiro no Brasil contou com cerca de 30 palestrantes dos mais diversos setores de comunicação, divididos entre palestras, debates, vídeos-conferências (com especialistas internacionais) e show cases.
Para os entusiastas, interessados, profissionais deste mercado, foi um espaço de discussão sobre teoria, práticas, tendências, desafios com muito aprendizado e troca de experiências. Mesmo com o tempo curto (nosso maior “inimigo”) limitando as atividades, os participantes do evento saíram do fórum conhecendo muito mais do que quando entraram e isso para os organizadores, já é motivo de muito orgulho. A avaliação que fizemos com os participantes gerou um resultado muito satisfatório qualitativamente, com mais de 90% das respostas considerando bom ou excelente os temas, palestras e palestrante. O tempo foi o maior alvo de críticas, com 40% das pessoas considerando que houvesse maior tempo para as palestras e debates. Com base nisso os planos para a próxima edição serão de dobrar o tempo, ou seja, 2 dias de evento pelo menos. Como transparência do trabalho do grupo EraTransmídia seguem alguns gráficos da avaliação.
As palestras e as vídeo-conferências reuniram um pouco dos aspectos didáticos da Transmídia, de como foram feitos cases para os diferentes públicos – como o infantil no projeto Por que Heloísa e nas análises dos já conhecidos Lost, Batman - The Dark Knight, para citar alguns. Além de apresentar processos, fatores relevantes para a compreensão e a construção de uma Narrativa Transmídia. Pontos como a proximidade entre produtores e audiência (proporcionada pela Transmídia) modificou a relação entre eles, em como construir a continuidade das narrativas de acordo com o interesse e desejo da audiência, tornando-a membro ativo no processo de roteirização e de storytelling. Nuno Bernardo (produtor Transmídia em Portugal na empresa BeActive), ao discorrer sobre esse contexto também apresentou a importância dessa proximidade para os projetos serem mais imersivos, adequar ao estilo de vida desta audiência (considerando a usabilidade das multiplataformas) e tornar estes conteúdos, incríveis experiências sociais. Para ele, existe algumas motivações que levam o engajamento, quando existe uma “causa” no que se que acredita, o significado do “status” de “pertencer” ou “ser” de uma comunidade do projeto, pelo “humor” ou diversão e também pelas “recompensas” virtuais ou físicas que podem ser obtidas participando de um projeto transmídia.
Atrelado a estes fatores, Dimas Dion e David Schurmann reforçaram a importância da estratégia para proporcionar este conteúdo multiplataforma e como estes conteúdos precisam de “dispositivos” call-to-action para ter estas experiências. Ao apresentar o case do primeiro projeto Transmídia em filme nacional, David ressaltou que ações feitas ao acaso se perdem e sem estratégias, planejamento, o objetivo final de engajamento e envolvimento dificilmente será alcançado.
As vídeos-conferências foram os aperitivos internacionais que o evento possibilitou ao público. Além de Nuno Bernardo, Robert Pattern, John Heinsen e fechando com chave de ouro, Jeff Gomez – considerado um dos gurus de Transmídia pelos seus projetos em Avatar e Fabrica da Felicidade Coca-cola (só para citar alguns) – apresentaram análises de como o comportamento da audiência em constante mutação faz com que empresas, anunciantes, veículos vejam na Transmídia uma necessidade de mudança em fazer publicidade e contar a história da sua marca e do que seus valores. E ao contrário que vinha acontecendo até então, marcas e produtores devem trabalhar juntos, potencializando seus objetivos, sempre visando uma experiência personalizada e diferenciada para o seu público.
Como cereja do bolo, tivemos 2 debates bem interessantes entre agências X produtores e o outro entre mídias “tradicionais” x “novas mídias” para discutirem as atualidades, tendências, desafios do mercado brasileiro em inserir Transmídia nos seus segmentos e como eles veem este novo formato. Os diversos profissionais convidados mostraram que estão atentos e acompanhando estas transformações e que as suas mudanças no “fazer publicidade com Transmídia” tem sido feito de forma contínua e progressiva. Atualmente as agências, produtoras e veículos pretendem incorporar as ferramentas e estratégias Transmídias em seus negócios até o ponto que o DNA dos seus segmentos, empresas e clientes permitirem, afinal estamos falando de negócios. A medida que estas transformações forem acontecendo e tomando força, mais demandas e experiências serão criadas e assim, todos os envolvidos ficarão melhor preparados para maiores desafios e atuações em Narrativas Transmídia.
Como dissemos anteriormente, desde o final do 1º Fórum Transmídia, além da sensação de dever cumprido, tivemos a sensação que este movimento está apenas começando e queremos estar sempre envolvidos e possibilitando a todo mercado momentos de discussão, conhecimento e prática contínua sobre esta nova onda da comunicação. E para este objetivo, este Fórum foi apenas o começo desta história. Em breve novos artigos sobre as palestras e debates.
Por Fernanda Nogueira e Rodrigo Arnaut (jan/2012).